O Maranhão enfrenta crescimento no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo a mais recente edição do Boletim InfoGripe, elaborado pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz.

Os dados indicam que a maioria das unidades federativas do Nordeste, incluindo o Maranhão, apresenta nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com tendência de aumento nas últimas semanas.
A principal causa dos casos de SRAG no estado tem sido a influenza A, mas o vírus sincicial respiratório (VSR) e o rinovírus também contribuem significativamente para o aumento de casos.
Em crianças, a incidência de SRAG está mais associada ao VSR e rinovírus, enquanto em adultos e idosos, a influenza A é a principal responsável. A mortalidade permanece mais elevada entre idosos, destacando-se também a Covid-19.
Campanha de vacinação
Diante desse cenário, os pesquisadores reforçam a importância da vacinação contra a influenza, que é a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos.
A Campanha Nacional de Vacinação começou em 28 de março em várias regiões, incluindo o Nordeste, e segue até 30 de maio, com imunização gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Grupos prioritários — como crianças, idosos, pessoas com comorbidades, gestantes a partir da 28ª semana, profissionais da saúde e da educação — devem garantir a imunização.
A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, enfatiza que, em estados com alta atividade de SRAG, como o Maranhão, é recomendável que pessoas de grupos de risco utilizem máscaras em ambientes fechados e com aglomeração, mantenham higiene das mãos e, em caso de sintomas respiratórios, permaneçam isoladas ou usem máscaras de qualidade (PFF2 ou N95) se precisarem sair de casa.
Situação nos estados e capitais
No Nordeste, os casos de SRAG por influenza A continuam crescendo no Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia. No estado, o crescimento de SRAG por VSR também preocupa, especialmente entre crianças pequenas.
Casos de SRAG por rinovírus seguem aumentando, mas em algumas localidades do Nordeste, como Ceará e Pernambuco, observa-se uma desaceleração do crescimento.
Entre as capitais, São Luís apresenta sinais de crescimento da atividade de SRAG, alinhada ao cenário observado em outras capitais nordestinas, como Fortaleza, Teresina, Natal, João Pessoa, Recife, Aracaju, Maceió e Salvador, todas com níveis de alerta, risco ou alto risco e tendência de aumento.
Dados epidemiológicos
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a prevalência entre casos positivos de SRAG foi de:
- Influenza A: 27,4%
- Influenza B: 1,5%
- VSR: 17,7%
- Rinovírus: 45,3%
- Sars-CoV-2 (Covid-19): 7,3%
Entre os óbitos, os vírus mais presentes foram:
- Influenza A: 36,9%
- Influenza B: 2,5%
- VSR: 5,9%
- Rinovírus: 30%
- Sars-CoV-2: 25,6%
Os dados da Semana Epidemiológica 12 (22 a 28 de março) mostram que crianças pequenas apresentam maior incidência de SRAG, enquanto a mortalidade é maior entre idosos.
O Boletim InfoGripe é uma ferramenta do Sistema Único de Saúde (SUS) que monitora a evolução de SRAG no país, auxiliando na identificação de grupos prioritários e no planejamento de respostas a emergências em saúde pública.


